
Esses dias passei enfrente ao meu antigo emprego, confesso-lhes que desde que sair de la, toda aquela atmosfera me faz muito mal, assim como lembrar de tudo que vivi. E quem diria, né?
Algo que foi tão especial e que um dia me rendeu tantos sorrisos, hoje se tornou uma triste lembrança.
Só pra vocês entenderem, vou resumir o que aconteceu.
Em 2005 trabalhava como corretora - vendas externas - de um correspondente bancário ate que uma concorrente se instalou na cidade e sem se quer fazer entrevista, me convidou para que eu fosse trabalhar pra eles. Eu mal acreditei, afinal seria meu primeiro emprego de carteira assinada, um orgulho pros meus pais e um momento sublime pra mim.
Me dediquei aquele lugar como quem se dedica a sua própria vida, sempre tentei ser muito mais do que me delegavam ser e cativei por todos um carinho imensurável, coisa de família mesmo.
Ajudava-os em coisas pessoais, muitas vezes ate era olhada de lado por alguns colegas por parecer "a puxa saco", mas não era puxa-saquismo, ate por que quando esses mesmos colegas precisavam dos meus préstimos, lá estava eu.
Comecei como atendente, fui pra digitação - era o elo do correspondente com o banco, depois pro malote - enviava os documentos físicos para o banco, até que cheguei a operacional financeiro - a que administrava toda a entrada e saída de valores no banco (responsabilidade pra chuchu!), ate que recebi um telefonema de um dos donos - no meu celular pessoal - dizendo que eu me inteirasse mais das atividades da gerencia, por que na semana seguinte era eu que assumiria.
Recebi a noticia com surpresa e apreensão, afinal apesar de muito esperta e de ser a funcionaria mais antiga, ainda era muito imatura em muitos aspectos, aquilo ali tinha sido a minha escola, mas eu respirei fundo e disse: Ok!
Na semana seguinte, quando eles chegaram, sem que nada me fosse dito, nomearam uma outra colega para gerencia, e eu mesmo acreditando que aquilo era providencia divina - vai ver ele estaria me poupando de uma catastrofe - fiquei sentida de não ter recebido nenhuma justificativa. Será mesmo que eles tinham direito de "brincar" com os meus sentimentos? Causar falsas expectativas e sem dizer absolutamente nada puxar meu tapete??? Bom... sinceramente, acho que não, mas nao questionei e continue fazendo o meu trabalho.
A nova gerente precisava de mim ao seu lado, e assim eu fiz... ate o fatidico dia que essa historia - de que eu teria recebido a nomeação de gerente antes dela por telefone - chegou aos seus ouvidos.
A partir desse desse momento o castelo de areia, que eu tanto demorei pra construir começou a demoronar na minha frente.
Minha vida virou um inferno naquele lugar, não tinha um so dia que eu não chegasse aos prantos em casa, de que eu desejasse nunca mais voltar aquele lugar.
Eu que era a mais competente, a mais elogiada, a que treinava os novos funcionarios - e inclusive treinei a que agora era gerente - passei a fazer uma asneira atras da outra, era muita pressão e o medo de errar me fazia errar ainda mais.
Eu queria gritar e não podia - não conseguia, pros meus chefes sabia que so chegavam queixas ao meu respeito, e quando eles vinham se queixar comigo a unica coisa que eu fazia era baixar a cabeça e sair da sala direto pro banheiro chorar que nem uma idiota.
Aquilo realmente foi uma escola, aprendi vivendo na pele, como nesse mundo os vagalumes precisam saber voar acima das nuvens, por que o ninho de cobrar abaixo delas não perde uma so oportunidade de devora-los.
Eu exatamente não sei o que causou na minha atual gerente essa mania de perceguição, talvez achasse que eu a ameaçava... ahuahua...poderia ser cômico se não fosse trágico. Logo eu???
Tinha ferias em Março desse ano, mas no ultimo dia de 2007 elas foram antecipadas pra Janeiro. Achei estranho, tentei questionar com os donos, mas fui repreendida pela gerente que fez questão de exaltar que ali ela mandava, e que se ela tinha falado que seriam em Janeiro, não havia nada a se questionar.
Mais uma vez o nó na minha garganta apareceu. É engraçado mas inevitavelmente esses momentos me remetem a minha infancia, quando as "tias" me chamavam de "manteiga derritida". Não sei se é fraquesa ou sensibilidade excesiva, mas pra que eu derrame litros de lagrimas não é preciso muito.
Sai de ferias e quando voltei tava com a minha demisão pronta, nem ao menos me deram tempo de sentar em minha mesa.
Meu Deus!!! O QUE FOI AQUILO???
O mundo desabando na minha cabeça e eu não sabia o que fazer, só chorava e ainda tive a infantilidade de perguntar pra gerente o que eu faria naquele momento, e ela respondeu: "Pode ir pra casa!!!"
(...)
Que dor meu Deus! Como eu poderia ta sendo demitida por ser BOA DEMAIS? Quanta injustiça!!!
Logo eu? achava que iria criar raizes naquele banco. Foram tantas coisas que vivemos juntos, tantas mudanças, quantos perrengues me deram pra resolver e comemoramos juntos as nossas vitorias. O que eu iria fazer agora sem o que era um pedaço de mim? Como tiveram coragem de fazer aquilo?
São perguntas que ate hoje não fiz e nem tenho a quem fazer, por que simplesmente não encontrei mais ninguem diante de mim.
Posso fazer ideia da imagem que criaram da profissional Juliny, pra que a chegasse a demisão. Mas por que eu não consegui sair em minha defesa? Por que deixei que me jogassem na fornalia? Que meus sonhos virassem cinzas? Por que tanta impotência?
A ironia de que o bomzinho sempre se ferra no final ganhou mais um caso pra contar. Não guardo raiva, mas a mágoa, a dor que eles causaram essa ainda não sarou, mas não lhes desejo mal, muito pelo contrario quero que eles sejam sempre abençoados e nunca precisem passar pelo que passei, por isso, não desejo ao meu pior inimigo - se antes tivesse algum.
Alguma Mágoa
Vinha trazendo no coração uma mágoa antiga que só fazia doer. Não sabia o que fazer com ela. E como apertava... E como doía... Ficava ela ali no canto esquerdo, bem quieta. Dava os ares de sua graça nas horas mais impensáveis. E como manchava... E como mexia... Pulava no peito como bola desgovernada que desce a ladeira sem olhar para os lados. Queria esquecê-la. Queria traí-la. Trancá-la lá fora sem pena da chuva. Deixando-a molhar como pano de porta, que sem borda aos poucos se encharca. Queria poder juntá-la com as mãos e com desespero de marujo perdido, arrancá-la para fora do barco. Deixá-la à deriva em companhia das ondas. Ela que se salvasse. Que se afogasse lentamente na imensidão fria dos mares. De longe eu acenaria em meu iate invencível, lamentando por não ter feito isso há mais tempo. Feliz por ter extirpado todo o tumor. Chegaria em casa tranqüila, talvez cansada da viagem. Tomaria uma Novalgina e iria cheia de graça pra cama. Sonharia com cores impossíveis e palavras ainda perdidas. Acordaria plena. Descansada. Completamente feliz. Escreveria meus versos roubados do invisível e ouviria os sons capturados do mundo. Prosseguiria vivendo a procura do irreal e do permitido. E seria feliz se não fosse a falta que se alojaria no peito clamando pela mágoa uma vez perdida, a reclamar junto com a lua sua ausência.
(Alice Venturi)
Fiquem com DEUS!!!Juh