sábado, 14 de março de 2009

NINGUÉM = NINGUÉM



Há tantos quadros na parede

Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém

Me encanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro

Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém = ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes

Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém = ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais...
uns mais iguais...

[ Humberto Gessinger]


Almejando um futuro melhor, me dirigi em pleno sábado a tarde, a uma sala de aula e me deparei com uma verdade dura, cruel e vergonhosa. Em uma determinada parada do ônibus se aproximou um rapaz, não devia ter mais que 30 anos. Vestes sujas e rasgadas, com o corpo todo retorcido ele babava e tentava subir os degraus do ônibus com dificuldade. Ao ver aquela cena de imediato me comovi e em pensamento roguei a Deus que abençoasse aquele ser.

Ele andou um pouco pelo corredor e na tentativa de falar, balbuciava sons indistinguíveis, mas as palavras eram dispensáveis para que todos ali entendessem o que ele tentava expressar.

Peguei algumas moedas na bolsa e coloquei em sua caneca, uma angustia foi tomando meu coração, no mesmo instante que uma indignação se aflorava na minha mente. "Por que?"

Como se nada disso fosse o suficiente, ao descer do ônibus e dar alguns passos o rapaz se desequilibrou, caindo sobre o poeirão de terra no mesmo instante em que o ônibus dava a sua partida. Não consegui visualizar se alguem o ajudou, mas uma lágrima inexprimível caiu em meu rosto simbolizando a dor de ver como somos irresponsáveis.

A aula literalmente começou antes que eu chegasse ao meu destino.

Que DEUS nos ajude...

Bei´Juhssss